terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ex-modelo Loemy Marques passa por "transformação" na TV e é internada

DROGAS Ex-modelo Loemy Marques passa por "transformação" na TV e é internada “Estou bonita por fora, mas não fiquei bem por dentro”, descreve a jovem, que deixou as ruas da Cracolândia no domingo (23) a convite do programa da Record Loemy Marques com a mãe Elizabeth no programa Hora do Faro, da Record A ex-modelo Loemy Marques, de 24 anos, foi internada nesta quarta-feira (26) em uma clínica de reabilitação privada no interior de São Paulo. Ela luta há anos para se livrar do crack, como relatou em reportagem de capa de VEJA SÃO PAULO publicada no sábado (22). Com a repercussão de sua história, ela foi assediada por programas de TV e acabou concordando participar de uma transformação no programa Hora do Faro, da TV Record, que também a levou para a clínica. O quadro irá ao ar no próximo domingo (30), depois de ser muito assediada por jornalistas e produtores de TV. Na transformação, ela passou por dentista, nutricionista, estilista, cabeleireiro, psicólogo - apareceu com os fios mais lisos e roupa nova. No palco, estava lúcida e contou sua história, mas teve momentos de maior ansiedade. A gravação precisou interrompida quando ela se exaltou com a mãe, Elizabeth, que apareceu de surpresa no palco, vinda do Mato Grosso, onde mora. “Estou bonita por fora, mas não fiquei bem por dentro”, descreve Loemy, que estava "louca para ir logo para a clínica". Saída da Cracolândia Com a ajuda da ONG Centro Assistencial ao Povo Carente e de um produtor de moda que quinzenalmente costuma visitá-la, oferecendo comida e banho, Loemy foi levada no domingo (30) a um apartamento no centro. No fim da tarde da segunda (24), Rodrigo Faro gravou uma entrevista que será mostrada durante a atração. Logo depois, ele postou uma foto com a jovem em seu perfil numa rede social. “Que história essa menina tem... Passei o dia com a modelo Loemy, que hoje é usuária de crack e vive nas ruas da cracolândia", escreveu.

31 de Outubro - Atenção

DIA DAS BRUXAS - HALLOWEEN
31 de outubro 


Mais do que simples travessuras ou doces, nos traz a verdadeira versão da tradicional festa norte-americana, Halloween, comemorada no dia 31 de outubro. Na verdade, o dia das bruxas não passa de uma festa pagã, em sua origem e prática, e significa uma das datas mais importantes para os adeptos da igreja satânica.

Muitos bruxos, satanistas e adoradores do diabo se preparam, durante todo o ano para estas festividades. Além de ser considerada por eles, o aniversário de satanás, é o dia ideal para fazer sacrifícios humanos e pactos satânicos. No período de 15 dias antes da data de 31 de outubro e 15 dias após os seguidores do diabo sacrificam pessoas, confiados na promessa de que alcançarão mais poder e prosperidade. Conforme as estatísticas, inclusive as do FBI, nos meses de agosto, setembro e outubro acontecem várias atrocidades, inclusive o desaparecimento de crianças do mundo inteiro, principalmente nos EUA.

A autora do livro "Satanás Escondido" conta que uma destas comemorações de Halloween, tentaram introduzi-la em um ritual satânico e pediram que sacrificasse uma criança recém-nascida. Neste mesmo livro, ela relata que muitas das moças desaparecidas nos meses de março e abril, são usadas para a procriação, e seu fetos sacrificados na época do Halloween. Os moradores de Anaheim, CA, também sabem e sentiram os efeitos desta Convenção de Satanás. A própria policia da cidade pede aos crentes que tomem algum tipo de providência, pois reconhecem que do Centro de Convenções de Bruxos, emana uma onda de violência e maus presságios. Os bruxos e adoradores do diabo não perdem tempo. Eles traçam metas horríveis para combater os cristão como, por exemplo, a destruição de 60 mil famílias por ano. Fora isso, trabalham incansavelmente, para que milhares de jovens e crianças sejam envolvidas e aprisionados pelas drogas, prostituição e violência, confirmando algumas histórias da dramaturgia cinematográfica americana.

Conforme Joel Engel, pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular do Rio Grande do Sul, o mais alarmante nesta história toda é que muitas igrejas estão participando das celebrações de Halloween. Além disto, vestem suas crianças de personagens bíblicos alegando que é uma opção . Para o pastor, não existe opção para este tipo de festa, pois de qualquer forma, a atitude do crente deve ser a de combater e não a de consentir com a comemoração. "A participação do halloween é uma desonra para o Senhor Jesus Cristo. O problema é que muitos não acreditam nem mesmo na Palavra de Deus que é bem clara ao afirmar: "as bruxas, os feiticeiros, os gatos negros, os faróis de abóboras e outros misticismos malignos, são símbolos de tudo aquilo que é abominável a Deus", frisa e também adverte: "Irmão, fique longe de toda a celebração satânica, com certeza, ela entristece ao Espírito Santo de Deus."
Doces travessuras ou bruxarias?

Faz muito pouco tempo que o Halloween ficou reduzido a uma pequena festa para as crianças. Mesmo no passado, a festa folclórica cultuada pelos americanos não significa nada de bom e oportuno. Seus símbolos e práticas foram tirados diretamente do paganismo, do mal, da morte e do ocultismo. De acordo com os manuscritos históricos, a celebração antiga do halloween era feita pelos druidas em honra a Samhain, o Senhor dos mortos, no primeiro dia do mês de novembro. Eles acreditavam que na véspera deste dia Samhain chamava todas as almas malignas (espíritos) que, durante os doze meses passados, haviam sido condenados a habitar em corpos de animais. O Halloween era considerado "o caminhar universal de todas as almas e espíritos".

Conforme a bruxa paulista Rosa Maria Biancardi, em uma entrevista ao jornal O Tempo de Belo Horizonte, os Celtas há mais de 2 mil anos, festejavam o dia dos mortos na data de 31 de outubro, celebrando a travessia e a troca de energia com antepassados.

Os Druidas eram uma ordem sacerdotal da antiga Gaul e Bretanha, pagãos da religião Celta. Conforme os artigos mencionados nos textos de escritores gregos e romanos, entre o século II a.C. e o IV d.C., eles eram brutais, temidos pelo seu poder e tinham sede de sangue. Resolviam todas as disputas com uma decisão definitiva e inalterável, e castigavam com a morte. Além disso, seus altares destilavam o sangue de vítimas humanas. Algumas vezes, ofereciam homens, mulheres e crianças em holocausto, queimando-os em grandes torres de vime, como ofertas as suas supertições. Normalmente, os Celtas usavam os bosques para caça, pesca e a alimentação, mas também os utilizavam para as cerimônias demoníacas. Há evidencias, ainda, de que usavam as gigantescas pedras talhadas para decidir qual era o melhor dia para acalmar ao deus ou deuses de suas práticas misteriosas. Afirmavam que Samham convocava os maus espíritos daqueles que haviam morrido durante a realização dos ritos demoníacos.

Das crenças dos Druidas precedem o uso de bruxas, fantasmas e gatos que são utilizados nas festas de halloween. Eles acreditavam que os "gatos" eram sagrados e haviam sido pessoas castigadas por alguma má ação. Para livrarem-se da possessão diabólica, tinham que dar comida ou oferecer algo aos demônios, e arrumar-lhes hospedagem durante a noite. Se os espíritos ficassem satisfeitos com o que lhes davam, deixavam a casa em paz. Caso contrário, faziam um "trick" (truque, maldade), ou rogavam uma maldição de destruição sobre as pessoas que ali residiam.
A história explica

A história nos dá a resposta sobre o Halloween e porque a festa foi cristianizada pela igreja. Desde o tempo de Constantino (quem fez do catolicismo a religião do estado) os imperadores romanos perceberam que era necessário manter um império unificado, onde o maior número de pessoas professasse somente uma religião. Porém, uma lei foi implementada para forçar a todos os que não eram cristãos a aceitarem o cristianismo. Assim, um grande número de ateus se uniu à igreja trazendo as práticas e celebrações pagãs, como o halloween, tiveram que ser cristianizadas. Para a Igreja Católica, a única maneira de preservar os pagãos nas missas, era permitindo a prática de algumas tradições e costumes. Aos pagãos recém-convertidos, foi liberado para que guardassem alguns festivais, tais como o Halloween ou o Dia dos Fiéis Defuntos. Eles o usariam para comemorar a morte dos "santos".

Em 800 d.C. a Igreja Católica estabeleceu o Dia dos Fiéis Defuntos no dia primeiro de novembro, para que o povo desse continuidade das celebrações antigas. No entanto, a missa que se rezava neste dia se chamava "allhallowmas", e a noite anterior ficou conhecida como "allhallow even" ou halloween, que significa santificado ou noite santa.
Significado de alguns costumes do Dia das Bruxas

Treat or Trick

O costume moderno do "treat or trick", começou na Irlanda a centenas de anos, logicamente com base nestes costumes Druidas. Um grupo de trabalhadores do campo, em uma pequena cidade, resolveu fazer uma festa de halloween em homenagem aos seus antigos deuses. No entanto, saíram de casa em casa mendigando comida para a festa. Aos que contribuíam generosamente desejavam boa sorte e aos que não contribuíam faziam ameaças. Assim, a tradição continuou até nossos dias quando jovens e crianças saem de porta em porta, disfarçados de fantasmas, esqueletos e demônios, mendigando de certa por comida enquanto prometem não fazer maldades.
31 de outubro

Foram os Celtas que escolheram a data de 31 de outubro como véspera do ano novo separando-a também para celebrar todo o maligno, o malvado e o morto. Durante esta celebração costumavam reunir-se em volta de uma fogueira na comunidade, e ofereciam seus animais, suas colheitas e às vezes a si mesmos como sacrifício. Usavam disfarces feitos de cabeça e pele de animais e prediziam o futuro uns dos outros.
Abóbora iluminada

A aparente e inofensiva abóbora iluminada é um símbolo antigo de uma alma maldita e condenada. Elas são chamadas "Jack-O Lanterns", por causa de um homem chamado Jack, que não podia entrar nem no céu nem no inferno. Como resultado ele estava condenado a vagar pelas trevas com sua lanterna até o Dia do Juízo.

Por medo dele e dos fantasmas, as pessoas arrumavam as calçadas e colocavam velas acesas dentro das abóboras para espantar os espíritos maus.

Alerta!

A festa do Dia das Bruxas, trata-se de um ritual satânico e demoníaco que envolve crianças inocentes e faz com que as pessoas cultuem o mal, que está tomando conta do mundo inteiro, inclusive no Brasil. Hoje adolescentes e crianças brasileiras esperam, ansiosos pela festa de Halloween, que é comemorado nas escolas e boates. Até para os antropólogos, a cultura norte-americana está cada vez mais presente na vida dos brasileiros, provocando um choque cultural. "É preciso estar atento aos exageros das chamadas trocas culturais"... e vigiar em todo o tempo.

Ex-modelo Loemy Marques luta contra o crack

DROGAS Ex-modelo Loemy Marques luta contra o crack Jovem de 24 anos saiu do interior de Mato Grosso em busca de oportunidades na cidade. Hoje vive nas ruas da Cracolândia e tenta se livrar do vício
 
Fluxo é o nome que se dá à aglomeração de viciados na região da Cracolândia, no centro. Nos dias de maior movimento, centenas circulam em meio à sujeira, mendigando ou roubando para comprar e usar drogas. Nas vielas estreitas do pedaço ou dentro de barracas de lona, traficantes observam tudo, sentados diante de tabuleiros improvisados. Em cima, deixam expostos maços de cédulas e pedras de pasta de cocaína de vários tamanhos, mesmo com uma base instalada daGuarda Civil Metropolitana e com carros da Polícia Militar passando pela área. É difícil distinguir alguém no bloco de maltrapilhos que andam a esmo na região, feito zumbis, em um retrato triste e trágico do fracasso das políticas públicas na cidade. Uma loira magra, de 1,79 metro de altura e olhos verdes, no entanto, não consegue passar despercebida. Alguns de seus traços de beleza ainda resistem, apesar das cicatrizes no corpo. Tem os joelhos feridos e os pés rachados pelo tempo dormido na rua. Os dedos estão queimados, de tanto acender os cachimbos de crack. A jovem vive no lugar há mais de dois anos, mas poucos sabem quem é. Arredia e desconfiada, sempre rejeitou o contato de pessoas que não fossem os próprios viciados. Só mais recentemente deixou que assistentes sociais e voluntários de ONGs que atuam no local se aproximassem para lhe oferecer banho e comida. + Vendas em queda e preço alto dos aluguéis afugentam lojistas da região dos Jardins Ela se chama Loemy, tem 24 anos (vai completar 25 nesta quinta, 27) e veio do interior de Mato Grosso para cá atrás do desejo de seguir carreira de modelo. Na semana passada, aceitou se encontrar com a reportagem de VEJA SÃO PAULOpara contar sua história de Cinderela às avessas. Foram três sessões de conversas, nas quais se emocionou várias vezes lembrando detalhes de como o sonho de brilhar nas passarelas acabou na Cracolândia. Houve momentos também em que sorriu ao falar de algumas boas recordações. Em um deles, uma usuária se incomodou com a risada e avançou com um pedaço de pau, acertando-a na barriga. A agressora parou após os berros de outros viciados, que a mandaram sair dali e “procurar o seu rumo”. Quero ser engenheira, acho que estou muito velha para ser modelo"" /> Loemy: "Quero ser engenheira, acho que estou muito velha para ser modelo" (Foto: Mário Rodrigues ) Lúcida e articulada quando não está sob o efeito das drogas, Loemy demonstra ter consciência do seu estágio atual de degradação física e moral provocado pelo vício. Perambula no centro desde setembro de 2012. “Quando me mudei para São Paulo e descobri que existia um lugar como a Cracolândia, fiquei horrorizada com aquelas pessoas na rua”, lembra. “Hoje, eu é que estou nessa situação.” Consome atualmente cinco pedras de crack por dia, em média. Cada uma custa 10 reais. Muitas vezes, ela se prostitui para conseguir o dinheiro. “Mas não faço nada sem preservativo, vim parar aqui com a consciência formada, pelo menos”, afirma. “Vejo muita menininha doente ou com filho.” Uma época, recebia a droga de graça dos traficantes. Além da beleza, o jeito educado e cativante ajudava. + Os jovens paulistanos que estão faturando com startups de tecnologia Antes de começar a fazer programas, tentou outros meios para sustentar o vício. Como se sente humilhada pedindo esmola, certa vez empurrou uma senhora para lhe roubar a bolsa. Mas entrou em prantos ao vê-la cair no chão e jurou nunca mais fazer isso. Nascida em um município com pouco mais de 50 000 habitantes, é a filha mais nova de uma empregada doméstica e de um garimpeiro. A mãe, Elizabeth, e a irmã, que tem dois anos mais que a caçula, continuam morando por lá. O pai sumiu de casa quando Loemy era um bebê de 6 meses. Na adolescência, já chamava atenção pela beleza. Fez pequenos trabalhos em Mato Grosso, como desfiles e divulgação de novas coleções de lojas locais. Até que um olheiro e produtor de moda, de passagem pela cidade, descobriu a moça e a incentivou a tentar a vida em São Paulo. “Ela tinha um rosto bonito, marcado e delineado, estilo anos 80”, recorda-se o profissional em questão, Célio Pereira. “Era uma diva, linda, um escândalo. Tinha tudo para dar certo.” Entusiasmada, a garota fez as malas. Desembarcou em janeiro de 2012 com 3 000 reais dados pela mãe e foi dividir um apartamento no Itaim com outras modelos. Nessa época, fez o primeiro book profissional (algumas dessas fotos podem ser vistas na galeria acima). A jovem veio do interior do Mato Grosso para São Paulo para seguir a carreira de modelo (Foto: Reprodução / Skin Model ) Encaminhada às principais agências de manequins da capital, não vingou em nenhuma. “Ela era chamada, começava o trabalho e, no outro dia, estava demitida”, afirma Pereira. “Faltavam foco e disciplina.” A preparadora de modelos Débora Souza, da Skin Model, teve contato com a garota de Mato Grosso nessa época. Segundo ela, em poucos meses em São Paulo, a jovem começou a beber e fumar com frequência e perdia os compromissos. “No dia do casting para trabalhar como recepcionista no Salão do Automóvel, por exemplo, ela chegou atrasada e não participou. Saiu revoltada”, conta Débora. Loemy atribui parte desses problemas à frustração de não ver as coisas andando no ritmo com que sonhava. “Desafogava frequentando muitas festas”, diz. Em sua cidade, ela já havia experimentado maconha. Na capital, foi apresentada à cocaína pelos promoters das baladas. Mesmo dividindo o aluguel no Itaim com outras meninas, o custo de 500 reais por mês ficou pesado para ela. Em agosto de 2012, começou a morar de favor no Bom Retiro, em um apartamento de um amigo. Tem na memória o dia e o horário exatos em que fumou a primeira pedra de crack: 15 de setembro, às 4 da manhã. “Estava em um táxi e, em vez de ir direto para casa, desviei o caminho e desci perto daPraça Júlio Prestes para tentar comprar maconha”, lembra. Na bolsa, carregava 800 reais e dois celulares. Acabou sendo assaltada por dois bandidos. Ficou sem os pertences e caiu chorando no chão. “Até que colocaram um cachimbo na minha boca. Foi como uma tomada para carregar”, conta. + Pastora vira 'entidade' na Cracolândia após dez anos de trabalhos sociais A partir desse momento, a substância se tornou parte de sua vida. “Eu a uso com a filosofia de ficar tranquila, de ver a vida passar sem me incomodar com a realidade”, justifica. Quando ela começa a sofrer as crises de abstinência, seu humor muda e acusa os efeitos físicos da falta da pedra de cocaína. Ela passa a se contorcer e esfrega as mãos contra o corpo repetidamente. Isso só termina quando fuma outra vez e sente o barato do “tuim” (em poucos segundos depois de inalada, a droga libera no cérebro descargas de dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer). A ex-modelo lembra exatamente o dia e o horário em que fumou a primeira pedra de crack: 15 de setembro de 2012, às 4h, após ser assaltada e ter a bolsa, 800 reais e todos os documentos roubados próximo à Praça Julio Prestes (Foto: Mário Rodrigues ) O vazio de não deslanchar a carreira em São Paulo e a dificuldade de adaptação à cidade grande não foram seus únicos problemas. Loemy carrega um trauma de infância: dos 4 aos 10 anos foi abusada sexualmente pelo padrasto. Dormia no mesmo quarto da irmã, que também era atacada pelo homem. Certo dia, não aguentando mais a situação, a irmã contou tudo à mãe. Na época, Elizabeth, hoje com 48 anos, ficava a maior parte do tempo fora, cuidando de duas casas para sustentar a família. “Eu não quis acreditar na história das meninas no começo, mas resolvi fazer um teste”, lembra. “Deixei um dia a Loemy sozinha com ele e, espiando pela janela, flagrei tudo. Na hora, perdi a cabeça e pensei até em matá-lo.” Depois do episódio, Elizabeth expulsou dali o companheiro, mas não procurou as autoridades para denunciá-lo. “Até hoje, tenho muita mágoa”, afirma Loemy. “Eu era uma criança, e não se fez justiça.” Às vezes, ela desaparece da Cracolândia por uns tempos. “Tenho medo e fico fugindo de um lado para outro. Já tentaram me furar com faca, mas tenho fé em que Deus não vai permitir nada de grave na minha vida.” Escolher um canto para passar a noite é sempre um momento tenso. “Uma vez me estupraram dormindo.Tentar se esconder é pior, você vira um banquete para eles. É melhor estar no aberto, na visão de quem pode te proteger.” Acostumada a andar sempre maquiada e arrumada, ela deixou a vaidade de lado. “Não me olho no espelho, senão eu choro, me deprimo mais.” + Nova 'favelinha' é montada na Cracolândia Várias pessoas tentaram tirá-la de lá. Um conhecido dos tempos das agências a visita quinzenalmente, oferecendo comida e banho. Certa vez, ele alugou um quarto em um hotel para que Loemy ficasse no lugar para se recuperar, mas a jovem voltou a dormir na rua. Em outra ocasião, o mesmo amigo pagou uma passagem para que a ex-modelo voltasse a Mato Grosso. A garota ficou lá poucos meses. Envolveu-se com traficantes do local, que a juraram de morte, pegou uma carona escondido da mãe e voltou às ruas de São Paulo. Em junho do ano passado, Elizabeth esteve na metrópole tentando resgatar a filha. “Loemy queria que eu ficasse, mas não tenho condições financeiras. Toda a minha vida, o meu sustento, está em Mato Grosso”, diz. “Já tentei interná-la, mas não deu certo. Toda noite fico de joelhos e oro por duas horas, pensando quantas noites ela não dorme com fome. A única solução é conseguir um tratamento em São Paulo”, entende Elizabeth, que é fiel da igreja evangélica Congregação Cristã no Brasil. No ano passado, por duas vezes, Loemy chegou a passar pelo Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), no Bom Retiro. Não aceitou ser internada e acabou direcionada para uma unidade de atendimento psicossocial. Ali, também não quis aderir ao tratamento. Histórias como essa mostram quanto a rede de emergência se apresenta modesta demais para dar conta da complexidade do problema. A prefeitura lançou em janeiro deste ano o programa De Braços Abertos. Inspirado nas políticas de redução de danos, ele acertou com os viciados o desmonte dos barracos da favela da droga, formada entre a Alameda Dino Bueno e a Rua Helvetia. Em seguida, todos foram encaminhados para hotéis da região e receberam benefícios como alimentação, tratamento médico e 15 reais por dia, em troca da prestação de serviços de varrição de ruas e praças. Do interior do Mato Grosso para as ruas da Cracolândia, a ex-modelo luta contra si própria para largar o vício do crack (Foto: Mário Rodrigues ) O município gasta mensalmente 815 000 reais com a iniciativa. Atuam também no local cerca de oitenta agentes do programa Recomeço, do governo estadual. Criado em janeiro de 2013, o serviço já conduziu cerca de 18 000 pessoas ao Cratod. Em um primeiro momento, conseguiu-se evitar que os viciados erguessem novos barracos ou que se amontoassem no meio das ruas para consumir a droga. Também foi reduzida a violência na região. Dados do Sistema de Informações Criminais (Infocrim) mostram que os índices de furtos gerais e furto de veículos diminuíram, respectivamente, 32,3% e 47,4% na comparação entre osprimeiros seis meses de cada ano. Os números, entretanto, não se sustentaram. Em setembro, os viciados voltaram a erguer uma favela do crack, dessa vez na Alameda Cleveland. Segundo o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador do Recomeço, foi um erro permitir que os barracos fossem montados novamente. “Dá-se a impressão de volta à estaca zero”, critica. O fluxo de viciados está lá há anos, a poucos metros da suntuosa Sala São Paulo e a 2 quilômetros da sede da prefeitura. Uma cidade como a nossa não pode virar as costas para essa ferida exposta. A situação de desamparo de gente como Loemy é o exemplo vivo de como o poder público parece estar enxugando gelo na Cracolândia. “Preciso de ajuda”, afirma a ex-modelo. Esse pedido de socorro é repetido por boa parte dos viciados do pedaço, assim como por seus familiares. Algumas ONGs, como o Centro Assistencial ao Povo Carente (☎ 4508-4073), tentam amenizar o drama e manter viva a esperança do povo da rua. Mesmo quem chegou ao fundo do poço ainda consegue sonhar. O desejo de Loemy é sair dessa e voltar a estudar (ela concluiu o ensino médio até agora). “Quero ser engenheira, acho que estou velha demais para ser modelo”, explica. Antes de posar para as fotos de VEJA SÃO PAULO, Loemy pediu um par de sandálias para esconder as feridas nos pés. No dia da sessão, porém, preferiu não ficar com o presente. “Guarda em sua casa”, afirmou, encarando com os olhos verdes a repórter, enquanto segurava as mãos da jornalista. “Quando eu sair daqui,você me entrega.” [Colaborou Aretha Yarak] O tamanho do problema • Cerca de 150 000 paulistanos, ou 1,4% da população, já experimentaram a droga • A maior parte dos usuários é do sexo masculino (78,7%) • Quase 18 000 atendimentos foram realizados no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) desde a criação do programa Recomeço, do governo estadual, em janeiro de 2013 • O programa municipal De Braços Abertos gasta 815 000 reais por mês com o aluguel de hospedagens no centro e as diárias de 15 reais para os viciados que trabalham em funções como a varrição de ruas e praças • 1 535 prisões foram efetuadas na Operação Centro Legal desde janeiro de 2012 • Desde 2012, a polícia apreendeu 280 quilos de drogas apenas na região da Cracolândia Os riscos da pedra • De efeito rápido e intenso, a droga tem alto poder viciante • Depois de tragada, a fumaça do crack é absorvida em grande quantidade pelo pulmão e cai rapidamente na corrente sanguínea • Em dez segundos,o cérebro é inundado de dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer • O usuário experimenta intensa euforia, sensação de poder, excitação, hiperatividade, tem insônia, perda da sensação de cansaço e falta de apetite • Esse efeito dura até dez minutos e a fissura por uma nova tragada se torna incontrolável • O vício pode levar a problemas como lesões pulmonares, queimaduras nos dedos e na boca, emagrecimento repentino, problemas neurológicos, aumento da pressão arterial e distúrbios na fala

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